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Alameda Ricardo Paranhos e o vale verdejante do Setor Marista

1 Comentário | 20 de março de 2019


A Alameda Ricardo Paranhos, no setor Marista, é a prova de que o investimento em estrutura urbanística valoriza a região. A avenida, depois do auge vivido na década de 1980, ressurgiu agora nos anos 2010 como uma opção para atletas de rua, atraídos pela pista de corrida considerada uma das melhores de Goiânia, para apaixonados por gastronomia e também para quem busca lojas de decoração e centros médicos.

 

Além da localização privilegiada, com vias de acesso para os principais bairros da cidade, a alameda tem outro grande ponto positivo: o seu quintal, formado por 240.000 m² de verde do parque Areião. Ali está a vegetação nativa da cidade, com plantas típicas de floresta e de vereda que abrigam macacos, pássaros entre outros animais de pequeno porte. O parque também conta com três nascentes do Córrego Areião e um braço do Córrego Botafogo, pertencente à Bacia do Rio Meia Ponte.

 

É um convívio unificado entre a alameda e a natureza verdejante do parque, feito a partir do traçado original da cidade e considerado como reserva ambiental no Plano Original de Goiânia, aprovado em 1938. Assim que o setor Marista foi inaugurado pela prefeitura, no final da década de 1970, a via recebeu o nome de Ricardo Augusto da Silva Paranhos, poeta e cronista nascido em Catalão (1866-1942). Paranhos publicou seus textos em Goiás e Minas Gerais e durante alguns anos seguiu a carreira política do pai, Antônio da Silva Paranhos, um dos três primeiros senadores da República.

 

A paixão de Ricardo Paranhos pela natureza está em muitos de seus textos. No poema “Minha Terra”, ele exalta a bela vista que se tem de Catalão, a partir do Morro da Saudade, famoso por sua beleza na região. Um vale por onde se estende a cidade, que parece rodeada pelo verde da mata. Um panorama maravilhoso que, de acordo com o escritor, resguarda as belezas naturais mais lindas do interior do país.

 

Ao emprestar o nome do escritor para a alameda, resgata-se esse sentimento de amor pela terra, pelo frescor das árvores, pelas campinas “que até mesmo em pleno agosto, setembro e outubro, quando o sol se torna rubro e mais escalda, conservam sempre a mesma linda cor”. Um sentimento que até hoje ressoa entre aqueles que passam e principalmente de quem mora na Alameda Ricardo Paranhos, um dos cartões postais de Goiânia e parte viva da história da capital.

 

Poema “Minha Terra”
Ricardo Augusto da Silva Paranhos

Ao pé do lindo Morro da Saudade
que fica apenas
a um quilômetro distante,
num fresco e extenso vale verdejante,
entre amenas
colinas
estende-se a cidade.
Visto de longe, especialmente cedo,
o casario
branco entre o arvoredo
basto e sombrio,
dá uma impressão exata de que a cidade, centro
e extremidades, está toda dentro
de uma cerrada e viridente mata.
Que amenidade de clima!
De que maravilhoso panorama
não goza a vista, quando lá de cima
do monte, que é o mais belo adorno
dessa terra, se derrama
pela vastidão em tôrno!
Para as bandas do Sul,
serranias afastadas,
semelhantes a fitas desdobradas,
de um lindo azul…
Do lado oposto
(Com que saudade tais belezas relembro!)
vastas campinas côr de esmeralda,
que até mesmo em pleno agosto,
setembro
e outubro,
quando o sol se torna rubro
e mais escalda,
conservam sempre a mesma linda cor.
Digo com todo orgulho que meu peito encerra:
não há lugar, aqui no interior,
que tenha mais
belezas naturais
que minha terra…





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